18 de Novembro. Eu paro e penso: “Cara, hoje é aniversário do Yuri, vou ligar para dar parabéns.” Aí uma sensação diferente da de qualquer 18 de Novembro que eu já vivi me vem à mente. Esse não é um aniversário qualquer do Yuri. Se na quinta série eu tive a oportunidade de considerar pela primeira vez o dia 18 como uma data especial, esta seria a última estudando no mesmo colégio que você “tecnicamente”. Ano que vem, será tudo diferente. Terei muitos amigos, disso tenho certeza, mas não terei mais aqueles amigos que vêm desde a quinta série comigo pois estes estão tomando um rumo diferente em suas vidas. Você, Yuri, é uma dessas pessoas que marcou tanto a minha vida que, se fosse um seriado, com certeza teria você como um dos protagonistas, sendo o fiel escudeiro que me acompanha por muito tempo. Por isso, gostaria de não ser apenas um alguém lhe desejando “Feliz Aniversário” no dia 18 de Novembro e, por isso, escrevi o seguinte.
18 de Novembro
Por Amanda Marta
Prefácio:
“Nasceste para o Sol: és mocidade
Em plena floração, fruto sem dano
Rosa que enfloresceu, ano por ano
Para uma esplêndida maioridade.”
A vida. A vida é uma ciclo infinito sem fim. Ao mesmo tempo que as coisas se repetem, elas não acontecem de novo. Se o ontem é parecido com o hoje, ele se frustra, porque nunca será igual. Dois momentos não são iguais. É uma pena. Ou não. Lembranças, memórias, enchem as cabeças de todos, alimentam esperanças, e também a tristeza de que algo que aconteceu no passado, por não mais voltar a acontecer. No entanto, há sempre a esperança de que no futuro, irá acontecer algo de melhor do que no passado. E é assim que conseguimos viver. E é assim que nos mantemos caminhando. Guardando lembranças, cultivando novas sensações. Mas, nunca esquecendo daquilo que já passou. Se dois amigos tomam rumos diferentes por um, dois, cem anos. No dia em que se reencontrarem, ainda terão alguma lembrança daquilo que já passou. Lembrarão daquela manhã de domingo da infância. Daquele sábado à noite, da adolescência. E, é esta a esperança, a chama, que nos permite saber que podemos contar com certas pessoas para a eternidade, porque estas pessoas são o que se chama de família.
Capítulo I – Mudas
Peter II School for Genious People era uma escola localizada no centro da cidade de Janriver. Sendo uma escola muito tradicional e exclusiva, abrigava poucos alunos que, para conseguirem entrar no colégio, passavam por exames de aptidão, sendo assim, selecionados apenas aqueles que estavam de acordo com o nível de tal instituição. Por conta disso, a escola era conhecida por abrigar boa parte dos “nerds” e “CDFs” de Janriver. Entrar em Peter II era o sonho de muitos jovens da cidade, que sabiam que levando os estudos com seriedade, teriam seu futuro garantido.
A primeira semana de aulas era marcada por muita tensão, e diversão também. Os alunos estavam no escuro, começando a reconhecer seu território, temendo o quão severa seria a rotina em tal instituição de elite. Ao mesmo tempo, começou-se a grande maratona de amizade: conhecer quem seria seu amigo, com quem você iria andar, quem parecia o reis do nerds, que eram os mais bonitinhos e bonitinhas. Neste cenário, está Johnny Russo, cujos esforços que duraram dois anos para conseguir entrar em Peter II finalmente haviam sido reconhecidos. Antes, Johnny estudava em St. Angels School e, conseguira tenazmente entrar no colégio que almejava. Tendo uma natureza popular, já na primeira semana, Johnny já falava com os quase 105 alunos de sua série, fazendo um enorme sucesso com as garotas, que suspiravam pelo também novato do colégio. Nesta época, os alunos estavam conhecendo o ritmo do colégio, tentando desvendar o que estava por traz de tal colégio. Os professores, ou eram amados ou temidos e, o grande terror de todos era o papel de “parte disciplinar” que estava sempre em posse dos educadores e inspetores. Mas, isso não impedia os alunos de se divertirem, curtirem aquele dia-a-dia, conhecendo as pessoas que depois descobririam ser suas melhores amigas. Johnny era uma pessoa encantadora. Tendo parentes que moravam em outro estado, tinha um sotaque muito peculiar que atraiu a atenção da professora de Português, que citou sua voz como “muito zen”, pois era uma voz calma e agradável aos ouvidos. Agora, voltando ao assunto “garotas”: Johnny fazia muito sucesso com elas, por conta de seu charme. Apesar de usar aparelho, não parecia com aqueles nerds que levam maçã para a professora. Além disso, seu cabelo tinha um topete, que dava um quê de Elvis para o menino. Era impressionante a capacidade que o menino tinha de conversar com absolutamente todo mundo da classe. Sua simpatia emanava em cada ambiente que chegava. Entre seus principais amigos na época, estavam Breno, Thalia, Augusto, com quem passava a maior parte do tempo, entre outros que o narrador da história não consegue se lembrar muito bem. É a idade, falta-me a memória, mas não divaguemos. Além de seus amigos, Johnny tinha muitos colegas e, com o tempo, foi conhecendo mais e mais pessoas. Em determinado momentos, Johnny se aproximou de duas das pessoas com quem mais passaria o tempo nos anos posteriores: Isabelle e Martha. As duas eram meninas muito inteligentes, tidas com as “nerds” da turma, rótulo unânime entre todos que as conheciam. De aparência, eram opostos: Isabelle era morena, mais baixa e bem magrinha. Martha era branquela, uma das mais altas da turma e gordinha. Ambas eram populares de um jeito muito peculiar: gostavam de ajudar os amigos e, sempre tinham todos os assuntos do mundo na ponta da língua. Um belo dia, Martha faz um aniversário num restaurante de massas e sua mãe pede para que ela selecione apenas um de seus amigos meninos. Martha, que era mais íntima de Breno, o convida e, com uma certa dor no coração, deixa Johnny de fora. Mal sabia ela, que Johnny lembraria disso até o fim de suas vidas. Não ter sido convidado para aquele aniversário doeu em seu coração mas, no fundo, ele sabia o valor que Martha dava àquela amizade. E este valor foi aumentando conforme o tempo foi passando. Mais um ano termina em Peter II School for Genious People. Mas o primeiro do começo de muitas amizades duradouras.
Capítulo II – Ainda crianças
Um ano de colégio e Johnny já havia recebido o rótulo de Legionário, por conta de seu vício pela banda Legião Rural. Johnny gostava de recitar trechos musicais para seus amigos, que se divertiam com seu vício musical. Depois de um ano juntos, as amizades estavam mais fortes. Johnny, que era uma pessoa que apreciava forte contato físico, calor humano, começou com seu amigo Breno uma moda de abraçar as pessoas o tempo todo, constantemente. Um dia, Martha, que estava sentada em sua carteira, com a cabeça apoiada sobre a mesa, se assustou ao ser surpreendida com o forte abraço de Johnny. Alguém disse: “Caraca! Que susto! Achei que vocês estavam se beijando!”. Martha, que era toda pudica na época, soltou um: “Creeeedo! Só minha boca fosse na parte de trás da cabeça.”
Hormônios pré-adolescentes percorriam o corpo daquelas crianças que adoravam brincar de “pega-pega”, se é que você me entendem, e conversar sobre assuntos sapecas em tempos livres. Breno, normalmente, era o mediador de discussões relacionadas ao assunto, sendo complementando periódicamente por seu amigo Johnny, que se gabava de grande conhecedor do assunto. Neste ano, Johnny teria conhecido um professor a ficar marcado em sua memória: Ferdinand Vasco, mais conhecido como Vasco mesmo, que era seu professor de Geografia. Ao conhecer Johnny, Vasco já o apelidou de Yohnny, por conta de certas raízes geográficas do nome de Johnny. Este foi também o ano de um marcante professor de matemática, Marcus, que divertia seus alunos com sua juventude e bom humor. Neste ano, durante um torneio de basquetebol realizado nas aulas de Educação Física, Johnny revelou-se um exímio jogador de basquete. No entanto, um colega de seu próprio time, sem querer, quebrou o nariz de Johnny que, segundo Breno, jorrava sangue na quadra. Breno havia exagerado, segundo Johnny, mas foi uma situação bem delicada. Isto não impediu que o ano fosse tão bom, ou melhor, que o ano anterior. Além de Breno, Martha, Isabelle, Yuri fizera outros amigos também: Patty, uma das meninas mais lindas da classe. Penelope, a exímia esportista. Além destas, havia Muffin, ou melhor, Peter, que por conta de sua pele morena, havia recebido tal apelido de doce. E assim termina mais um ano em Peter II School.
Capítulo III – Dois anos
Se antes a intimidade ainda não permitia que o contato entre os colegas fosse totalmente desligado da rotina escolar, agora eles já se conheciam o suficiente para combinarem saídas mil durante as férias. Apesar disso, não se cansavam de se ver e conversavam também em sala de aula, no intervalo ou mesmo durante as aulas. Parecia que as conversas, fofocas, eram infindáveis. Era tenso, bem tenso. Johnny havia se revelado um exímio matemático, tendo ganho medalha de bronze numa olimpíada. Isabelle e Martha, que conheciam as habilidade do menino, viviam dizendo: “Viu? Você é muito inteligente! Ainda acreditamos que você fará algo de importante para esse mundo. Mas só falta você se dedicar! Você tem muito potencial!” E Johnny pensava: “Não vou deixar de fazer as minhas coisas para estudar. Nem mooooorto!”. Tempos depois, Martha se revelou muito mais flexível a esse conceito do que parecia nesse momento, mas enfim, Johnny era muito esperto, de verdade. Muito sagaz, não tanto quanto Florindo, no entanto.
Nesta época, alguns professores foram marcantes na vida dos alunos de Peter II: Guida, a engraçada professora de matemática; Risada, apelido da sorridente professora de Biologia; Dirce, a simpática professora de Francês. Os trabalhos desta última matéria eram os melhores de serem feitos, mexendo bastante com a criatividade dos alunos. Este foi o sétimo ano.
O ano seguinte foi um ano importante. Era quando Johnny e seus amigos iriam se formar no Ensino Fundamental. Neste ano também, Johnny iria se aproximar daqueles que virariam seus melhores amigos. Ao entrar no estágio de Química de uma famosa instituição de Janriver, Johnny começou a viver uma realidade totalmente a parte nessa instituição conhecida por ser militar. Nesta época, aproximou-se de Klaus, fascinado por Química, que viria a virar seu melhor amigo. Nesta época, apertou seus laços com Martha que, começando a mudar bastante, começara a fazer aulas de boxe e fazia periodicamente almoços para os amigos em sua casa. No entanto, não era necessário um almoço para que ainda assim os amigos fossem visitá-la. Johnny, frequentemente, ia assistir as aulas de Martha no clube de luta, e depois palpitava e zoava da amiga ao acompanhá-la na saída. Além disso, Johnny e Martha estavam cada vez mais próximos de Penelope, com quem trabalhavam em jogos de Voleibol, trabalho conseguido por Penelope, que divertia muitos os amigos com seu caráter ativo e independente. Penelope era uma exímia jogadora de voleibol e Johnny e Martha sabiam que ela tinha futuro nisso. Nesta época, Johnny estava começando a descobrir nas duas, suas melhores amigas. Nesta época também, Johnny se aproximou de Clara Paula, de quem tornou-se grande amigo também, até namoraram por um bom tempo.
No final deste ano, estava sendo organizada uma peça teatral no colégio. Johnny, com sua natureza destaque, era um dos protagonistas. Martha era produtora. Penelope também participava. Um ano de muita diversão foi esse, amigos muito unidos e tudo mais. Johnny também andava muito com o Sauron Group, seu grupo de amigos composto por Peter Evo, William Joseph, Peter Paul, Augusto, Allegro, Florindo Jr., Ueslei. Este amigos se divertiam bastante com seus trabalhos e as zoações entre eles. Além dos apenas meninos, o grupo tinha uma “mascote”: Martha, que também estava próxima em alguns dos momentos do grupo. Nesta época, Martha havia se aproximado muito de Augusto e Johnny, sendo por ela considerados, seus dois melhores amigos. Entre eles, havia uma certa competitividade de quem seria o melhor amigo de todos de Martha, que sempre frustrava Augusto dizendo: “Desculpa, mas o Johnny vem primeiro. Mas, você é meu segundo melhor amigo!”. Mal sabiam eles que terminariam namorando mais tarde. Festa à fantasia de formatura, formatura oficial, este foi o ano das celebrações. O que os amigos não sabiam é que talvez este fosse se revelar o melhor ano de suas vidas porque agora estava chegando o Ensino Médio, ou seja, livros a postos e estudar!
Capítulo IV – Desventuras Mil
Início do ensino secundário. Isabelle, Martha, Johnny e Clara fixam um grupo que levariam até o final daquele ano. Neste ano, Martha, claramente mais magra, passava por um fase de dietas e exercícios que muito assustava seus amigos, principalmente Johnny, que não conseguia entender o que estava acontecendo com sua amiga, agora 18kg mais magra e, aparentemente, com problemas. Martha e Johnny eram muito amigos mesmo. Um confidenciava detalhes de sua vida ao outro. Inclusive, nesta época, Martha continuava apaixonada por Astinos, conhecido de Johnny, que marcou boa parte das conversas de Martha com seus amigos. Durante este ano, inúmeras coisas aconteceram: o início do namoro de Johnny com Clara Paula, a mudança de Martha, que viria a se interessar por Matthew, um menino novo no colégio; William e Peter Evo mudaram de escola, abalando um pouco a estrutura do Sauron Group. Enfim, o primeiro ano secundário foi uma época de gigantescas mudanças. Mas Johnny levava a vida com sua felicidade e estabilidade de sempre, transmitindo sua alegria a todos que estavam à sua volta.
Capítulo V – Life Changes
Segundo ano do Secundário: um ano de muitas mudanças, muitas reviravoltas, que não cabe ao narrador contar detalhadamente. No entanto, sabe-se que a vida de Johnny mudou, e mudou bastante. Neste mesmo ano, Martha acabou indo morar em St. Paul, por conta de problemas iniciados naquele ano anterior. Junto a ela, foi Penelope que, por conta do esporte, mudou-se para Osaka. Este ano, Johnny ficou um pouco mais distante de duas importantes amigas. De vez em quando, ambas voltavam para encontrar-se com ele, mas não parecia o suficiente simplesmente vê-las de vez em quando. Mas, foi assim que a vida quis, e assim foi.
Johnny começa a namorar outra menina, Gaby, depois do término com Clara. Esta agora era bem mais nova do que ele, mas isso não foi empecilho. Além disso, começou a fazer aulas de teatro, enfatizando esta sua veia artística iminente. Nesta época, Johnny teve alguns problemas, que o levaram a não acreditar no amor, entre outras coisas. Até mesmo, no dia do espétaculo de seu grupo de teatro, recebeu do professor um livro sobre amor, o que foi um episódio bastante inusitado. Assim termina o segundo ano: um ano de mudanças, problemas. Mas, um ano que marcou o início de um outra fase em sua vida.
Capítulo VI – That's the End of Lesson 1
Terceiro ano, o último. Johnny recebe três presentes: a vinda de Penelope e Martha, novamente em Janriver, e Isadore, uma simpática garota de outra unidade de Peter II School for Genious People que cativou Johnny. Este foi um ano de vitórias: Johnny passou direto no colégio, decidiu sua vida como Engenheiro, sua futura profissão, e ganhou novamente medalhas em olimpíadas de matemática. Apesar de ver a saída de Martha no meio do ano, novamente, Johnny sabia que ela ainda estava em Janriver, e que ainda podia contar com ela. Neste ano, Johnny fez novas amizades, saiu, se divertiu bastante, e assim a vida foi se tornando mais tranquila, novamente mais divertida.
Capítulo VII – Johnny in the Sky With Diamonds
Johnny, você sabe o porquê de eu não ter ido à sua formatura. Seria um pouco dificil para mim estar lá com todos vocês e não poder receber meu diploma também. Mas, saiba, que estou muito orgulhosa de você. Você é um dos meus melhores amigos, alguém que me conhece com a palma da mão. Você é uma pessoa com quem sempre pude contar, e você sabe que sempre poderá contar comigo. Estando em Janriver ou em St. Paul, não importa, eu sempre te levarei no meu coração. Você é meu eterno “Miss Universo”, hehehehehe Eu te amo muito, cara. Muito mesmo! Você é uma pessoa que eu quero levar para a minha vida toda.
Martha
Dedicatória: Para meu amigo Johnny, que me inspirou a escrever tal história. Sem Johnny, a vida não teria sido a mesma.
Martha



